Não me espanta este aperto que trago em mim. Esta dor que se tem apoderado de mim e que tento disfarçar com um sorriso.
E tudo começou com das mais fúteis palavras. E tudo perdeu-se com as mais relevantes. Tu deixaste-me, a mim não, de acreditar em mim. Sabes o que é sentir que já não há volta a dar? Sentires-te num beco, um beco que começa a fechar-te e tu começas a desesperar sem mais niguém para te ajudar, mesmo estando perante uma multidão que está predisposta a te acalmar. E tu... Tu não queres ninguém. Queres somente palavras da pessoa que feriu. Como fostes capaz? Como deixaste que as palavras funestes dos outros se pudessem meter entre nós. A nossa amizade não seria capaz de superar isso tudo? A verdade, é que procurámos saída mas ninguém as consegue providenciar. Tu e só tu... São assuntos nossos. E depois sinto-me como pisada por esses assuntos banais que deverias acreditar em mim e preferes revoltar-te com pequenos gestos de ciúmes imprudentes. Meu menino... Confesso que por vezes só quero-te dizer palavras bruscas como um acorda ou olha para mim, tu conheces-me porque desconfias agora... Mas a lisura é que não digo nada. Porquê? Porque tu. Sim tu. Já devias me conhecer melhor do que mil multidões à minha volta. Tu. Tu devias ter acreditado em mim e não teres dito verdades sufocantes só por dizer, para defesa.
Há palavras que merecem ser ditas, mas magoam... Sim magoam. As que disseste pensando que estavas a fazer bem, magoaram mais do que mil impropérios ditos por quem me quer bem.
Uma amizade não se rege só pelos abraços e amor, rege-se essencialmente por confiança. Tenho medo, porque já não estás. Tenho medo porque já nada é igual. Onde estás tu agora?
