tempo passa.


 
Tenho medo. Medo de mim. Medo de ti. Medo de nós. E digo de tal forma esse medo que o utilizo como uma fachada para o que realmente quero dizer. Correto não seria dizer que tenho medo de ti, de nós, mas seria dizer que tenho ânsia. Ânsia de mim. Ânsia de ti. Ânsia de nós.
E é tal agonia a me abraçar que sinto tanta necessidade de ter um abraço teu para a libertar.
E porquê? Porque um abraço teu não tem explicação possível. É um conforto termendo que me faz sentir suficientemente segura. Faz-me sentir única, única para ti. Única até mesmo para mim.
E sem haver sentenças, sem ter que existir "um depois", sem pressas, sem esperanças. Não procuro isso. Confesso que já procurei demasiado. Já tentei demasiado. Agora, agora é deixar levar. E para quê apressar? A verdade é que quando acontece demasiado depressa, irá ter um fim inesperado e repentino. Não quero isso. Não quero uma vida, nem um sempre. Também, não quero um brinquedo.
Tudo na vida procura seu caminho. É essa a lei. Tu moves-te por vezes por instintos, instintos que nem sabes como os descrever. Num instante, num momento... Tudo pode mudar. Afinal, o mundo é feito de mudanças.
 Te digo. Te peço. Te procuro. Vem cá. Vem dar-me esse teu abraço que sei, sim sei, que irá libertar-me de tanta ansiedade. De tanto conselho deitado fora e palavras ditas com significados ocos. Vem somente cá. Deixa tocar-te. Deixa minha mão moldar-se na tua. Deixa-me suspirar por um instante. Só por um instante, antes que tudo mude de novo...