Palavras soltas...


Só nós sabemos a emoção de fugir. Só nós sabemos a emoção de ter que esconder o amor que não existe . Só nós sabemos que não há caminhos a tomar quando a tudo se opõem.
E a nossa felicidade? Onde está.
Onde está as nossas escolhas? Não estão. Não estão pura e simplesmente porque houve alguém que as tomou por nós.
Houve alguém que se apoderou de toda a nossa inocencia e alegria, de todo o vaivém de emoções e nos prendeu.
Não nos deu escolha.
Faz-nos pensar como há alguém capaz de estragar a nossa felicidade. 
Como há alguém que não se importa com o que sentes. Que te julga porque os outras te julgam. 
E tu? Como estás tu. agora.
Sentes-te bem contigo? Sentes-te feliz? Sentes ao menos?
Eu pouco posso afirmar de como me sinto. Pouco há a dizer para além de uma confusão de pensamentos, um distúrbio de emoções, por entre tantas lágrimas e tantas palavras lidas. Por entre tantas notas soltas e lembranças que me atormentam, não tenho muito a dizer. Não tenho muito a mostrar.
Apesar de tudo isso, de me sentir presa e sem opções. Sem escolhas... Eu cuido de quem cuida de mim.
Porque quem me vê calada não imagina o monte de pensamentos que estão a sub-carregar-me.
Tenho pensamentos distantes, mesmo estando a olhar para quem só me apetece estar a pensar.
Como?
Não acredito que um amor acabe por causa da distância. A distância separa olhares, não sentimentos.
Até porque o contrário de ganhar não é perder. É desistir...
Eu não desisti, confesso que fui obrigada a desistir, a desistir do que mais me tornava feliz. Aos poucos, estão a roubar-me a felicidade. Aos poucos estão a tirar-me o sorriso, a sufocar a voz e a retirar-me somente tudo o que me importa. A minha liberdade.
E pergunto. Como és feliz se te tiram tudo o que demais te torna feliz?
Vês? Não sei já como conseguir ser feliz. Não tenho forças, não tenho vontade até. 
Quanto mais voo, mais alto é a queda, se não voar, não vou cair.
Por isso, para quê falar, para quê estar a dizer palavras bonitas, que no final são ocas, sem significado algum. Palavras que foram ditas somente com o momento. Que são ditas por engate e não por serem sentidas. Para quê estarem a retirar o valor ao silêncio, se no final as melhores e mais lindas palavras de amor são ditas num silêncio de olhar...
Eu devia ir por aí, rir e cantar, tocar e até rebolar, mas simplesmente desprendi-me de todos esses momentos mágicos que tinha. Não desprendi-me fui obrigada a tal.
Se ao menos, desta revolta toda, saísse algum pensamento importante...
Um pensamento capaz de abrir corações. Abrir o meu coração. De fazer acreditar, a mim ou a outrem.
Porque é assim que vamos ficando, começamos com puras expectativas de uma nova realidade e acabamos sem nada. Procurei já em tempos uma razão para viver. Algo que me prendesse a tudo o que eu aprendi, encontrei alguém. Alguém que agora olho e vejo perder-se no meio de todas as coisas que era suposto eu estar lá para ajudar. E eu somente não estou. Eu percebi que não era bem assim, eu percebi que uma razão de viver, não deveria ser procurada nos outros, mas sim em mim. O único problema é que eu não a encontro.
Peço portanto, desculpa pelo silêncio e mágoa que transmito, mas está a ficar tarde e eu tenho medo. Tenho medo de não saber o caminho. É que é difícil termos que encarar uma vida nova de responsabilidades. Sinto saudades dessa coisa em mim a dizer-me o caminho certo. Perdeu-se a razão. Eu estou a crescer, da pior forma.

E ao crescer, estou a aperceber-me de coisas que antes considerava insignificantes, coisas como amores passageiros e relações breves, que faziam de um dia um mundo e no outro acabavam, despedaçando-o e fazendo-me seguir. Já não é assim. Não quero ser objectivo de ninguém. Quero ser algo muito mais que isso, quero significar muito e quero poder marcar. Quero poder ficar com alguém. Quero poder dar a mão e passear e receber mimos sem ninguém a criticar. Quero sentir o toque dos nossos lábios e a troca de olhares num encontro. Não quero ser algo que possam riscar de uma lista de coisas a fazer. 
Quero ficar...

Mesmo com o receio que tenho de amar, mesmo sem saber, mesmo com o medo de arriscar e ser feliz. Seria bom, admito, se duas pessoas pudessem se relacionar sem que nenhum esperasse absolutamente nada, sem compromissos, mas infelizmente , nós, pessoas, criamos sentimentos devastadores e emoções, que no fundo, tentando esconder, eles prevalecem. E depois há aquela troca de mensagens e comentários de como nada importou, de como houve traições e desconfianças. A isso digo, da mesma maneira que um dia aprendera a lembrar-me de alguém a todo o momento, também irei aprender a esquecer alguém. Porque... É fácil amar. Difícil é esquecer.

Eu podia fingir que esqueci. Eu podia fugir do que tenho que esquecer, ou até mesmo podia fingir que estava a fugir. A verdade é que não seria a mesma coisa. Admito, não há forças para escrever, não há forças para sentir. Quando mais tentas parecer tudo bem, mais te desmornas. As coisas já não são como eram.
A realidade já requer ser enfrentada de frente. Os sonhos serem reconstruídos e as vontades, muitas delas, vão mesmo embora.
Eu ouvi. Eu ouvi de tudo. Eu aprendi de tudo. Eu era feliz. Caí. Não há muito mais a fazer, se não levantar, voltar a ouvir. voltar a aprender. voltar a ser feliz.
Sozinha? Só o destino dirá.