Palavras do mar...

Passeando na praia, já sem nada mais a pensar. Sem lembranças a construir. Sem sorrisos para oferecer fui andando. Já nada parecia correto. Já não acreditava em nada de novo que diziam. Não acreditava no amor. Seria só eu? Pois. É de tal uma barbaridade que nem queria pensar em tal. Estava magoada. Fui usada. Fui desiludida bruscamente com palavras, com mentiras escondidas. E enquanto andava marcando pequenas pegadas na areia, tocando suavemente na água fria do quente mar de Verão, deparei-me com uma garrafa. Seria possível que ainda existissem mensagens por garrafas. Seria possível que ainda alguém acreditava no verdadeiro amor, há distância ou não? Pois bem, abri a garrafa e tirei o papel já velho e quase ilegível.


« . De mim. Para ti. Para alguém.

Talvez um dia consiga. Talvez um dia eu vá acreditar e querer. Talvez um dia as estrelas consigam se ordenar e escrever no céu uma das mensagens e palavras mais bonitas que talvez um dia direi. Direi ou quero ouvir. Eu sei o que quero ouvir, mas confundo-me no que quero dizer. 
Quero ouvir suavemente a sair dos teus lábios tudo aquilo que só tu sabes. Aquelas que me pegam na mão e fazem querer passar-te pela face. Aquelas simples e reconfortantes palavras que tu sabes dizer que tornam o nosso beijo forte e apaixonante. Não se tratam de palavras banais, mas palavras com fortes significados. Palavras tuas. TUAS. Só tuas. E onde estás tu agora?
Fugiste. Quando as coisas se complicaram desapareceste da minha vida. Irás ler? Não sei. Mas alguém, um dia irá ler e irá perceber. Irá se encontrar numa situação idêntica à nossa.
Tu deixaste-me apenas com aquelas pequenas palavras reconfortantes de como nunca me ias esquecer e de como nada iria mudar. Palavras que cortam a distância com um sopro. Palavras que se perderam com o vento. Palavras que eram somente isso. Ocas sem significado.
Não preciso acreditar para querer, é preciso querer para acreditar. Eu acreditei em ti. E tu? Tu deixaste-me.
Porque me deixaste? Porque quebraste promessas e juras. Porque traíste o que de mais te ofereci.
Voltas para mim? Por favor, diz-me. não. Segreda-me que voltas para mim, que não me voltas a deixar que irás ficar comigo.
Tu és o meu ponto fraco. Eu irei negar quantas vezes quiseres que não te irei amar, até eu saber que tu me amas. Por isso diz que me amas. Diz-me que sou o teu mundo. Quero ouvir-te de novo. Quero tocar-te.
Não sou romântica nata, nem sou dada a estas letras que aqui escrevo. Geralmente sinto um vazio. Um vazio que peças não encaixa e ficam. Um vazio que ninguém compreendia. Até tu chegares e completares essas peças. Até tu chegares e marcares-me, fazeres-me desejar-te cada vez mais.
Por favor. Nunca desistas de amar só porque houve uma desilusão. Só porque uma briga separou ou o coração fechou-se. O coração fechou-se? Abra-lhe todas as janelas. O meu coração já foi, durante muito tempo,  anjo de pedra com asa quebrada. Não é das melhores sensações, por isso luta pela tua felicidade.
Tudo se encontra. Tudo passa. Tudo vai embora. - as pessoas certas e destinadas voltam a se encontrar.
Apenas...


Se receberes isto, volta para mim. »


E foi isso que pensei. Eu não procurei. Eu não insisti. Contive a um certo ponto tudo dentro de mim. Irei ceder.
Com a carta na mão mais passos continuei a dar. Mais pensava sobre aquelas palavras da vida. Mais eu queria remediar tudo o que pensei, penso e pensara sobre o amor. Sobre a razão que me levava aquela praia.
Afinal de contas, sou como o viajante inocente dessas palavras que de palavras precisa.
Eu também preciso de palavras. De me sentir tal e qual como tais personagens se sentiram.
Agora estou determinada a perguntar...


« E tu, onde estás agora? Irás me dizer palavras de lançar suspiros? »
Eu não procuro uma estrela. Procuro um céu. @