Algo que já tive e ainda tenho...

Tenho medo. Não sei de quê, nem porquê. Só sinto. Não sei se de um passado ou de um futuro... Sei que por vezes vezes sinto um silêncio aterrador no lugar de pensamentos vagos que me fazem duvidar do que tenho em mãos agora.
Não me perguntem porquê. Eu não sei responder. Se num dia a luz que me olha é terrivelmente grande, num outro nem um risco dela me faz querer olhar. Por vezes sinto que me perco na imensidão de um nada vazio apenas, que devia estar já quase raso de cheias memórias e lembranças. Mas não está. Sinto tanta coisa num tempo que vai-se a ver perdido, que me faz duvidar daquilo a que chamo tudo.
Pensamentos confusos de escrita ou sentimentos que me fazem muitas vezes relembrar que palavras não amam. E tantas palavras já disse.
Duvido que alguém vá perceber do que falo, mas a vida é mesmo assim. Cada vivencia é um marco importante que ao rever parece que já não significa nada. Parece até por vezes uma borra de memória confusa.
Não sei. Admito que não sei. Sei sim que tenho medo. Medo de um dia voltar a dizer que não perdi algo, perdi alguém. Interessante, parece acontecer com mais frequencia do que esperava.  É assim. O presente vai buscar ao passado para aprender o que num futuro não se deve fazer. Mas nós.. Não ligamos a isso e acabamos por cometer o mesmo erro vezes sem conta, e para quê? Para no final deixarmos de acreditar. Não pode, não deve ser assim.
Lembrar-me-ei sempre, ou pelo menos tentarei, que ser feliz é sentir. Sentir cá dentro. E quem melhor para saber como te sentes do que alguem que não queres perder.
E tudo o que resta são memórias de um tempo perdido num passado recente.
Tenho somente que parar. Parar de procurar e estar disponível para novas maneiras de ser-se feliz. Tenho que ser feliz. Amar quem me ama e não duvidar.
E isso tem que começar pelo momento em que me esqueço quem já me esqueceu. Pelo momento em que deixo ir quem não quer mais saber de mim. Antes eu tinha medo de perceber. Agora. Agora percebo que só perco quem nunca realmente esteve comigo. Só perco que nunca me quis. Porque quem sempre, secretamente, me quis, ainda está a meu lado. Só que de tantas vezes querer ultrapassar, de tantas vezes querer negar, fui-me esquecendo dessas pessoas.
Amor é assim, é amar. E amar sem amor é apenas sentimentos vazios de nada.
Quando te deixas iludir por alguém e teus sentimentos esfriencem, percebes que ainda não é desta que mereces ser feliz, cá dentro. Porém olha-te ao espelho e reparar. Repara que estas a sorrir. Não estás feliz, mas ainda sorris. Acho que pela vontade e coragem de te levantar depois de já teres caído vezes sem conta. Mesmo depois de já te teres magoado. Não desistis-te e isso faz-te sorrir.Não te sintas mal. Sente apenas uma oportunidade de começar ou recomeçar.
Sei que já começei imensas vezes, mas a verdade é que já devia saber, percorro, por vezes, o mesmo caminho vezes sem conta. E já devia saber a sua meta. Mas não. Sinto sempre aquela vontade de chegar mais longe, mais além do que da última vez chegara. Mas mesmo sem querer, eu caio. Mesmo sem me aperceber eu vou caindo aos poucos, até voltar a chegar ao final do mesmo caminho.
E aí começo a pensar no que errou, no que errei.
Será que consigo amar alguém. Será que ainda amo quem demais neguei amar mais, será que continuo fingindo e esquecendo. Não sei.
Sei apenas que tenho medo. Sei apenas que se for para voltar atrás de novo, que não seja para recomeçar, mas começar algo novo. Algo diferente do que já antes tinha. Porque é isso que eu preciso. Preciso de encontrar um caminho novo, não um mesmo caminho que já saiba o final.
Sei que tenho que mudar e corrigir tudo onde errei. Mas somente, tenho medo desse futuro passado que ainda continua a meu lado.
Tenho medo de mais uma nova oportunidade. Para mim. Para ti. Para um nós já vivido. Medo de algo que já tive e ainda tenho. Não sou eu aquela que quebra promessas, apenas me vou esquecendo delas quando alguém se vai esquecendo de mim. E elas ficam apenas perdidas pelo ar. Até sentir uma nova oportunidade de as agarrar sem ter que as voltar deixar escapulir entre os meus dedos de novo. quero poder agarrar de novo e prender junto a mim. Quero perder medo. Quero algo que me fascine de novo. Quero um novo caminho. Quero algo que já tive e ainda continuo tendo, mas junto a mim.

 
« o que tiver que ser. Será. »