É interessante como uma amizade pode originar um amor, mas raramente um amor se torna numa grande amizade...
Quando se ama, têm-se um mundo nas mãos. Uma grande responsabilidade, uma jornada não a um, mas a dois... Decisões mutuas e sorrisos com grandes significados. Palavras ditas com o coração sem ouvir a mente, que grita por trás, para não as dizer.
Agora, quando do amor nasce uma amizade, desce-se um degrau. Continua-se com a grande responsabilidade, com a mesma pessoa na tua vida, mas os sorrisos não serão os mesmos, as atitudes muito menos. Muda tudo de certa forma. É praticamente impossível estarmos ao lado de alguém que anteriormente amámos, que temos uma forte ligação e não pensarmos ou vir-nos a cabeça uma imagem, uma frase, um momento passado... Em conjunto... Porque estas nos assombram... É assim para praticamente todos... não?!
E quando nasce um amor de uma amizade?
Por detrás de uma grande amizade, há um amor verdadeiro... Para ser-se amigo, é-se leal, não se faz aquelas juras de amor, apenas de uma grande amizade, de presença, apoio e humildade. Quando se é amigo, há uma enorme responsabilidade mas uma ainda menos do que num amor. Ajuda-se a amar e não se ama para ajudar.

Mas se tal acontecer, amizade - amor, é porque estamos a percorrer o caminho certo. A tomar as decisões certas, vamos estar com alguém que nos conhece, que jura lealdade, que nos trata como um mundo nas suas mãos. Vai ser um amor verdadeiro, porque conhecesse parte das personagens desse grande amor e aos poucos vamos descobrindo a outra parte. Não vai deixar de ter as suas desavenças, só que vai descomplicar muita coisa.
« Eu conheço-te. Tu conheces-me. Sabemos o que ambos pensamos e pensamos em algo que ambos sabemos. Sei como te agradar do que gostas e não gostas, sabes todos os meus segredos, minhas virtudes e defeitos. Sabes como lidar comigo em praticamente todos os momentos. Conheço os teus olhares e sorrisos. Conheces os meus sonhos. Não juras o que não sentes e não sentes o que não juras. Sorris na esperança de me alegrar e eu alegro-te a sorrir. » É uma amizade. Sabia-se de tudo sem intenção de haver um amor.
Cada passo de sua vez. Cada momento a seu tempo. Cada sorriso partilhado. Cada olhar lançado e constrói-se uma amizade. Arriscámos? Eu arrisco sempre. Mas acabo sempre desiludindo-me, magoando-me e volto atrás. Acredito que um dia não tenha que voltar a trás.
O que me vale é que eu posso até não conseguir dormir, posso ter lágrimas e momentos a me assombrar, mas ainda consigo sonhar e sonhar não é demasiado.
Então sonho que amo e amo a sonhar.


