Sentei-me a teu lado.Olhava para ti sem saber o que dizer, o que fazer, não deveria estar aqui, a teu lado. Não podia. Não posso. Mas era o que mais queria fazer agora.
A verdade é que há tanto que nos separa. Podem não acreditar mas há. Um amor escondido, um beijo perdido, um pensamento fugido. Lágrimas caídas sem saber porque. Há um mundo inteiro. Um revolta de sentimentos que nos separa. Uma revolta? Não. Um amor que nos separa. Olhavas para mim e eu não me contia sem olhar para ti. Pensava tudo o que já me tinhas dito. Tudo o que eu queria ouvir, Tudo o que nós já passamos.
A verdade é que houve, ou havia ou há amor em mim há espera de alguém como tu para o despertar. há um novo eu. Um eu realístico,sonhador, diferente, um novo eu, já "adulto", inexperiente há espera da tua experiência. Da tua ou de outra.
Pensava isso tudo enquanto havia a troca constantes de olhares. Era um silencio devastador, como se as palavras estivessem mesmo fugido. Tanto havíamos falado anteriormente, que agora não havia mais nada a dizer. O nervosismo com a revolta, com a vontade, isso tudo de roda de nós. E quando os olhares tencionavam abrir a fala, soltar um grito ou até mesmo um sorriso. Nada disso conseguia sair. Nada se pronunciava nem movia. Queria falar, mas não sabia que dizer. Qualquer palavra minha agora seria mal entendida. Não poderia voltar com as brincadeiras, ou com os sorrisos, não era isso que queria, não era isso que eu desejava agora. Desejava crescer. Desejava saber o futuro, esquecer os problemas... Mas ambos sabíamos o que iria acontecer se algum desses meus pensamentos se soltasse e escapassem da minha voz. Iria causar aquilo que não queríamos. Ira fazer-nos tomar acções ou medidas um tanto ou quando revolucionadoras para o que queríamos. Queríamos perceber, entender, compreender. Mas ao mesmo tempo, ele também não falava. Que estaria a pensar...Então não sei porque disse « - Tens um cigarro? . - Estou tentando parar de fumar. - Eu também. Mas queria ter alguma coisa nas mãos agora. - Tu tens algo nas mãos agora. - Quem eu?! . - Eu... »Este pedacinho de conversa soltou aquele nosso sorriso de novo. Estarias a pensar o mesmo que eu naquele momento? A verdade é que o silencio voltou, mas pouco durou, só me apetecia contar tudo, soltar o que realmente ia, porque tinha sido um gesto teu para isso, não fora? Mas não sabia que mais que falar.
« Gostas de estrelas? . - É claro, quem não gosta? . - Quem não as consegue contar. - E tu consegues? - Claro, só conto as principais. - Ah... Não sei como se faz isso. - Dá-me a tua mão. - Para? - Com a tua mão, eu consigo contar-te todas as estrelas que considero importantes. - Porque com a minha mão? - Porque tu és a estrela principal e a partir de ti, vem todas as outras. - Não precisas mentir. - Não é mentira, é sentimentos. - Se fossem sentimentos, não o dirias a mim, mas sim a quem amas. - E quem disse que não te amo? - A pessoa mais importante da tua vida. - Falas contigo agora? »
Não queria perceber o que de tão lógico era. Por isso eu voltei a sorrir.
« Não sabes já. As coisas mudaram... Tu fizeste sorrir de novo, fizeste-me ver o que realmente importa. - Não. Não o fiz. Eu dei-te uma mão, uma ajuda. Não vale a pena estarmos a nos iludir. - Não estou iludido. Estive muito, mas agora , tu, que estas a aqui, é que me fizeste cair na realidade. - Enganas-te então. - Os teus olhos não me enganam, apenas as tuas palavras. Não o queres? - Não é assim tão fácil. Há obstáculos. Podem ter desaparecido, mas apenas por agora. Eles continuarão aqui depois de algum tempo. E tu escolherás os teus obstáculos, porque são eles que te interessam. Eu sou apenas uma miragem. - Se fosses uma miragem não te tocava, não sentia nada por ti. Apenas contemplava a tua beleza. Não é isso que queres? Não é isso que fizeste acontecer? - Não. Eu não fiz acontecer nada. Eu não quero isso que me estás a tentar dar. » ( Silencio)
Baixaste a cabeça. Notava-se que estavas triste. Tinha sido mais uma desilusão para ti. Não era isso que queria. Mas era o melhor. Era melhor teres pensado assim, iria somente revolucionar a nossa vida sem haver seguro que iria permanecer assim. Que iríamos ser felizes. Pois como já disseram, sou uma desilusão e mais vale ser agora do que ser mais tarde, depois de já estar completamente interessada.« Mesmo se eu te olhasse cem vezes por dia, acredita que cada uma dessas vezes, estaria me apaixonando um pouco mais por ti. Não pela tua aparência, mas pela tua pessoa. - Tu não me conheces. Pensas que conheces. Eu própria desconheço o que sou. - Daí eu estar aqui a te informar do que tu realmente és. Não do que queres acreditar ser. Tu não és assim. Não és isto. - A verdade é que sou isto. Somente escondia-o de ti. - Escondias muito bem então, porque conheço todos os traços do teu corpo. Todos os sorrisos que fazes, tudo quando sentes. - Se sabes isso, porque não sabes que te queria, que não queria que me deixasses e o fizeste? - Porque o medo de quando os nossos sentimentos coincidem é pior que o medo de fugir dos problemas. Eu sou assim , fujo dos problemas. - Então não te esqueças de fugir de mim, Só serei um problema. Um dos teus maiores problemas. Não finjas amar alguém que sabes que realmente não amas. Não me agrades. agrada-te. Luta por ti. - Estou a nos agradar. Tu queres-me e eu quero-te. - Eu não te quero. - Tu desejas-me? . - Eu não te desejo. - O que queres de mim? - Que sejas feliz. - Sou feliz contigo? - Achas? - Tenho a certeza. - Enganaste serei apenas mais uma desilusão para ti. Uma desilusão para mim. - É isso que pensas? Não queres lutar? - Vale a pena lutar por algo que já perdi? »
as lágrimas caiam. Foste-te embora. Não me disseste mais nada. Foi um momento que me custou imenso e que ainda hoje me arrependo. Mas a verdade é que prefiro-te ver feliz com outra do que estares comigo e pensares que podias ser feliz com outra pessoa. Sinto falta e saudades de tudo o que éramos.
Só percebemos e valorizamos que temos, quando perdemos.
Então eu fumo para me lembrar que te tenho sempre nas minhas mãos.
« Agora, entre tudo o que podias ser para mim, escolhi seres a saudade. »

