(...)
Recebi a noticia. Sim, era confirmado, os meus pais ião-se divorciar. A minha vida estava a desmoronar-se. E a minha casa, uma confusão... Portanto, eu quando voltava de da escola, não ia directamente para casa, descia o caminho e ia para aquela pequena casa em ruínas. Levava os auscultadores e a música que me fazia acalmar, sentava-me no parapeito da janela, e observava o mar. Acendia um cigarro e chorava, cantava, gritava, fazia tudo quanto me apetecia porque ninguém me podia ouvir, muito menos ajudar ou criticar. Depois quando chegava a casa, perguntavam onde tinha andado e tudo mais e eu nem respondia. Não queria falar com ninguém...
E então, numa conversa, o meu namorado, que me dava algumas forças, acabava comigo, devido à distancia e à pessoa que me estava a tornar ( pensava eu, mesmo para não pensar que era porque não se importava ) , e eu piorava. Passava dias que nem ia para a escola, ia a primeira hora e fugia para o largo, onde ninguém me chateava e dizia o que eu devia ou não fazer. Resolvi, resolver os problemas, a fugir em vez de enfrentar. Estava mais triste e desiludida que nunca. A minha vida mudara. Sentia-me sozinha e abandonada, mesmo estando constantemente rodeada pelos meus amigos e o seu apoio. Mas isso parece que não bastava. Estava vazia. (...)
E então, numa conversa, o meu namorado, que me dava algumas forças, acabava comigo, devido à distancia e à pessoa que me estava a tornar ( pensava eu, mesmo para não pensar que era porque não se importava ) , e eu piorava. Passava dias que nem ia para a escola, ia a primeira hora e fugia para o largo, onde ninguém me chateava e dizia o que eu devia ou não fazer. Resolvi, resolver os problemas, a fugir em vez de enfrentar. Estava mais triste e desiludida que nunca. A minha vida mudara. Sentia-me sozinha e abandonada, mesmo estando constantemente rodeada pelos meus amigos e o seu apoio. Mas isso parece que não bastava. Estava vazia. (...)
Sim, era definitivo, após o divórcio, o meu pai ficou com a minha custódia e pediu transferência para fora. Íamos viver para Lisboa. Minha mãe ficava na nossa pequena terra, com a nossa grande casa, minha irmã a acabar os estudos universitários e eu ia com o meu pai. (...)
Foi horrível ter que contar isto aos meus amigos, além de estar praticamente vazia, sem eles estava morta. Não tinha forças para voltar a fazer amigos. Nem forças, nem disposição. Gostava da minha vida tal como estava. ANTES de tudo cair. Mas então, passado um mês, de eternas despedidas, pedidos para ficar, de regate, promessas de sempre's e de voltar, íamos partir. Mas antes, tinha que fazer uma coisa.
Ficamos uma noite num hotel antes de apanhar o avião e eu pedi para sair. Meu pai atarefado com as suas mudanças disse levemente que sim e eu liguei para os meus amigos. Queria me despedir deles também, que lá por tarem distantes não os tornam menos importantes. (...)
Ficamos uma noite num hotel antes de apanhar o avião e eu pedi para sair. Meu pai atarefado com as suas mudanças disse levemente que sim e eu liguei para os meus amigos. Queria me despedir deles também, que lá por tarem distantes não os tornam menos importantes. (...)
Cheguei às portas. Sentamo-nos nas plataformas, fumamos um cigarro, bebemos uma cerveja. A Rosa pediu para eu cantar para ela. E assim o fiz. Após uns tempos a relembrar os bons momentos, fui à casa de banho. Ainda te queria ver, mas não me parecia que iria conseguir. Contudo, tinha raiva de ti.
Quando cheguei da casa de banho, a Rosa vinha ao meu encontro mais a Filipa e entregaram-me um peluche, o meu desenho animado preferido. O SpongeBob. Com o meu nome na camisola deve e um coração. Perguntei de quem tinha sido. Foi dele. " Ele esteve aqui?! " , " Sim, eu disse-o que estavas aqui e que te ias embora e ele veio aqui, deixou isso e foi-se embora..." . Devia ir atrás dele pensava e até parecia que tinham lido os pensamentos, que encorajaram a ir, liga-o e vai, ele está com o Ricardo. (...)
Liguei para o Ricardo e disse para inventar uma desculpa para parares, e me despedir uma última vez. e ele assim o fez.
Vim a correr desde as plataformas até à avenida, subi as escadas a correr, e com o vento a bater na cara.
Vim a correr desde as plataformas até à avenida, subi as escadas a correr, e com o vento a bater na cara.
Encontrei-o de mãos dadas mais a sua suposta nova namorada. Parei. Não tinha força nem coragem para falar com ele. Por isso chamei o Ricardo, não ele. Ele olhou para trás e chegou-se ao pé do Ricardo, perguntando se era eu. Ricardo disse que sim e sorriu para mim, vindo ao meu encontro.
" Que vais fazer Sá? Eu apoio-te mas olha lá o que vais fazer! Força miúda! " .
Então cheguei-me ao pé dele e disse à suposta namorada que não ia incomodar muito, que iria ser rápida e eficaz, que ela não se preocupasse, e dei-o o SpongeBob. " É teu, não meu. Pega-o . " , " Não o quero. Disse a Rosa que era para ti. Não o quero comigo, comprei-o para ti! " , " Eu não o quero. Não quero nada de alguém que não se importa comigo e que não se importa é um desconhecido. Não recebo nada de desconhecidos. "
" Desculpa. Mas estava só a ser sincero. " , " Eu sei, isso não importa agora. Quero que sejas feliz, que encontres alguém para dar o amor que me dizias dar, que te sintas mais realizado com ela do que comigo. Isto é um adeus. "
" Desculpa. Mas estava só a ser sincero. " , " Eu sei, isso não importa agora. Quero que sejas feliz, que encontres alguém para dar o amor que me dizias dar, que te sintas mais realizado com ela do que comigo. Isto é um adeus. "
" Sá... espera eu..." , e virei as costas, mas depois notei que ainda trazia ao pescoço o nosso anel. Aquele que me pediste em casamento, e que eu de uma maneira super envergonhada aceitei.Voltei para trás e tirei o anel, coloquei-o na tua mão e virei-te as costas. Abracei-me ao Ricky e chorei, ele perguntou se estava bem e eu, disse que sinceramente não estava, mas que iria estar. E depois ordenei-o que risse para que parecesse que estava a dizer algo hilariante, dei-o um beijinho e fui-me embora.
Ricky voltou para ao pé dele e olhou-o como que não gostasse do que ele estava a fazer ... " Se gostas dela , ou gostaste, ou até mesmo se sentes um pingo de amizade e respeito por ela, vai atrás dela e explica isso. Ou ela vai achar que os defeitos são só dela, que só ela é que fez o mal de tudo. ela vai achar que nunca te importaste, quando sabes que te importaste, ou não a dizias o que a disseste! " (...)
Vinhas a chamar por mim, mas mandei-te ir embora, até que me agarraste e pediste desculpa. Estava a chorar e tu limpaste-me as lágrimas, abraçaste-me e disseste ao ouvido " Eu amo-te ! " , tal como tinhas me dito que gostavas de o fazer. E depois deste-me o SpongeBob e disseste que era meu, que o tinhas mandado fazer a pensar em mim. Eu limpei as lágrimas e sorri. " Obrigada por me teres feito feliz, nem que seja por um bocadinho. Esse bocadinho já foi o meu contozinho de fadas. " e tu deste-me a mão. " Tenho que ir. Vou apanhar o voo cedo amanhã. " , " Voltas para cá? " , " Acho que não. Só em férias. " , " Mas falamos pela internet e sms " , " Se quiseres." , " Sim, gostava muito. " ...
E caminhei, desci as escadas, como se tivesse a traçar o meu novo caminho. Olhei para trás e ainda estavas lá. Não resisti. Subi as escadas a correr de novo e beijei-o. Não resisti. Era a última vez que o via. Pensava que ele me tinha feito tanto mal, mas era o que eu queria fazer. (...)
Levaste-me até ao hotel, entraste comigo no meu quarto e passamos lá a noite. A minha vida estava a começar a ser perfeita de novo. Até que amanheceu e tive que te deixar a dormir sozinho naquela cama de hotel. Sai com o teu cheiro, com o teu beijo e os teus abraços. Saí contigo no pensamento. (...)
No avião, olhava pela janela e chorava. Chorava de dor, saudade, amor. chorava por tudo o que tinha deixado atrás. [ ]
Acordei. Era tudo um sonho. Em parte desejava que fosse realidade, porque poderia resolver tudo entre nós. Em parte, não queria abandonar ninguém, nem começar de novo.
A vida nem sempre é aquilo que desejas, tens que apagar muitas coisas para que novas possam nascer.
A vida nem sempre é aquilo que desejas, tens que apagar muitas coisas para que novas possam nascer.


